O Projeto
Saberes ancestrais, saberes vivos
“O futuro é ancestral.”
Ailton Krenak
Saberes em Correspondência convida você a explorar narrativas, memórias e modos de conhecer e se relacionar produzidos por comunidades ribeirinhas do sul do Brasil.
Entendemos os saberes ancestrais como conhecimentos construídos ao longo de gerações, que continuam vivos, sendo transformados e atualizados diante dos desafios do novo regime climático.
O que o vento informa sobre as condições do tempo ou sobre o movimento das águas? O que uma planta pode fazer? O que os ciclos das águas trazem e levam embora? Como se reconhece uma mudança no tempo antes que ela apareça nos instrumentos oficiais? Como se aprende a viver com um território que também está mudando?
Esta página reúne diferentes formas de perceber, conhecer e habitar mundos. Você encontrará histórias de pessoas, mas também rastros de outros seres: águas, peixes, árvores, aves, insetos, paisagens, entidades espirituais e fenômenos atmosféricos. Eles participam das relações por meio das quais os territórios são percebidos, lembrados e habitados.
Chamamos essas relações de correspondências multiespécies.
Correspondência não significa que todos conhecem ou percebem o mundo da mesma maneira. Significa prestar atenção às relações que se estabelecem entre diferentes seres e às formas de conhecimento que emergem dessas relações. Significa também reconhecer, nas formas compartilhadas de habitar, caminhos para o bem-viver coletivo.
Por isso, o site é também um convite para percorrer diferentes maneiras de viver e conhecer, colocando em relação memórias e futuros possíveis, experiências e territórios existenciais, saberes ancestrais e tecnologias contemporâneas.
Entre fotografias, vídeos, narrativas orais, cartografias compartilhadas, ambiências sonoras e outras formas de registro, este espaço de memória permanece aberto às relações que ainda estão por acontecer.
Conhecer é também corresponder: observar, escutar, aprender e estabelecer relações com os mundos que compartilhamos.
Saberes em Correspondência é a plataforma interativa da pesquisa Tecnologias ancestrais e Inteligência Artificial (IA): Correspondências multiespécies em um mundo de mutações climáticas e fenômenos extremos, desenvolvida por pesquisadores da Universidade Federal de Pelotas com financiamento da FAPERGS, por meio do Edital FAPERGS 06/2024: Programa de Pesquisa e Desenvolvimento Voltado a Desastres Climáticos (Termo de Outorga nº 24/2551-0002354-2).
O que fazemos
Realizada com apoio financeiro da FAPERGS e do CNPq, a pesquisa parte de uma pergunta: o que podemos aprender com os modos como diferentes comunidades percebem, habitam e cuidam de seus territórios diante das transformações ambientais e das mudanças do clima?
Buscamos compreender as transformações e os desafios enfrentados por comunidades tradicionais diante das mudanças climáticas, sobretudo aqueles relacionados a eventos que têm se tornado recorrentes no Rio Grande do Sul, como chuvas intensas, inundações, ciclones, granizo, secas e altas temperaturas. Esses eventos interferem nos territórios, nos modos de vida, na segurança, na qualidade de vida e na saúde das comunidades.
Diante disso, buscamos compreender como os saberes e as experiências das comunidades podem contribuir para pensar outras formas de perceber, interpretar e responder às transformações dos territórios e do clima.
Colocamos em relação conhecimentos tradicionais, ancorados em relações de reciprocidade, mutualidade e interdependência ecológica, buscando compreender se e como eles podem ampliar o debate sobre resiliência ambiental e contribuir para a construção de estratégias de enfrentamento às transformações climáticas.
Estas correspondências nos oferecem um conjunto de pistas para pensar cuidado, memória, território, resiliência e futuros compartilhados.
Como fazemos
Partimos da perspectiva de uma antropologia aplicada e pública, comprometida com a produção compartilhada de conhecimentos, articulando diferentes campos de saber: entre eles a antropologia, a memória social e o patrimônio cultural e as tecnologias contemporâneas.
Fazemos isso com as comunidades, construindo percursos de pesquisa que combinam escuta, observação, participação e experimentação.
Escutamos e registramos narrativas, acompanhamos práticas e modos de vida e observamos as relações com as águas, os territórios e outros seres.
Utilizamos fotografias, vídeos, narrativas orais, cartografias compartilhadas, ambiências sonoras e outras formas de registro e experimentação, criando diferentes modos de documentar, narrar e compartilhar experiências e conhecimentos.
Buscamos, assim, colocar diferentes conhecimentos em correspondência, sem pressupor que um deles deva substituir ou traduzir completamente o outro.
Com quem fazemos
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Docas
Localidade situada na borda do canal São Gonçalo, porção sul da cidade e ao lado do conjunto de armazéns do Porto de Pelotas.
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Balsa
Localidade que compreende uma grande área desde o final do bairro Centro até o limite sul da cidade, a borda do Canal São Gonçalo.
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Barra de Pelotas
Localidade situada na barra do canal São Gonçalo onde suas águas se encontram com as da Laguna dos Patos.
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Objetivos de Desenvolvimento Sustentável
A pesquisa se alinha a quatro dos dezessete Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030 da ONU, definidos na proposta submetida à FAPERGS.
- ODS 3: Saúde e Bem-Estar
- Assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar para todos, em todas as idades.
- ODS 10: Redução das Desigualdades
- Reduzir a desigualdade dentro dos países e entre eles.
- ODS 13: Ação Contra a Mudança Global do Clima
- Tomar medidas urgentes para combater a mudança do clima e seus impactos.
- ODS 15: Vida Terrestre
- Proteger, recuperar e promover o uso sustentável dos ecossistemas terrestres, gerir de forma sustentável as florestas, combater a desertificação, deter e reverter a degradação da terra e deter a perda de biodiversidade.
Enunciados oficiais dos objetivos, na redação adotada no Brasil. Agenda 2030 da ONU no Brasil